MONSANTO - História,
Monumentos e Gentes
“Nave de Pedra”
lhe chamou o escritor Fernando Namora
As casas típicas de Monsanto “habitam” paredes meias com a rocha granítica que as protege.
Vaguear pelas ruelas sinuosas, descobrir os recantos solarengos e debruçar o olhar pela majestosa paisagem, são motivos mais do que suficientes para o visitante se perder na descoberta da terra e do seu povo, envelhecido e sereno.
Em 1938, António Ferro e o “seu” Secretariado de Propaganda Nacional decidiram atribuir a Monsanto o “Galo de Prata” que distinguia a “Aldeia Mais Portuguesa” de Portugal.
O ideário que presidiu à instituição daquele concurso era idêntico ao que tinha dado origem ao próprio Secretariado de Propaganda: “combater por todos os meios ao seu alcance a penetração no nosso país de quaisquer ideias perturbadoras e dissolventes da unidade e interesse nacional”.
Apesar da evidente carga ideológica do prémio, o epitáfio passou a figurar como baluarte de Monsanto.
Localizada no concelho de Idanha-a-Nova, Monsanto é uma imponente povoação esculpida no granito agreste de um promontório de pedra que domina toda a planície circundante.
A proximidade da antiga Egitânia (Idanha-a-Velha) e da estrada que ligava Mérida a Compostela e os inúmeros vestígios da ocupação Romana (cerâmica, moedas, joalharia e inscrições funerárias) são sinais claros de que o Monte Santo terá acolhido romanos, naquilo que deveria ser um “oppidum”.
Aos Romanos sucederam-se os Godos e os Árabes que ali deixaram marcas indeléveis da sua passagem. Ainda hoje, muito do repositório etnográfico e antropológico desses povos sobrevive com as gentes da terra. Exemplo disso é a festa de Santa Cruz no dia 3 de Maio. Romaria profundamente marcada por rituais pagãos, posteriormente cristianizados.
A proliferação de lendas e tradições mouras, onde se destaca o adufe (instrumento musical Árabe, que em Monsanto apenas é tocado pelas mulheres) sobrevivem como testemunho evidente de uma presença marcante dos povos árabes nesta região.
A construção da fortaleza de Monsanto, edifício profundamente ligado à história da povoação, perde-se na penumbra dos séculos.
Alguns investigadores sustentam a tese da origem Suevo-Visigótica da fortaleza, mas em rigor, só a partir da fundação da Monarquia Portuguesa se definem contornos cronológicos precisos.
Depois de ter concluído a Reconquista da região aos mouros, D. Afonso Henriques terá reconhecido o valor estratégico-militar da fortaleza. Por isso o Rei decidiu mandar reconstruir a fortaleza e repovoar Monsanto, atribuindo-lhe grandes regalias pelo foral de 1174, mais tarde confirmado por D. Sancho I (1190) e por D. Afonso II (1217).
Ainda antes de atribuir o primeiro foral, D. Afonso Henriques tinha doado a inexpugnável fortaleza a D. Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem dos Templários.
A importância estratégica de Monsanto como bastião defensivo foi crescendo com o correr dos séculos. A fortaleza servia de posto de sentinela avançado de onde se permitiam avistar, com antecedência, incursões hostis no território português.
Em 1510, D. Manuel eleva a povoação a vila, honrando-a com o beneplácito de poder usar no seu escudo a esfera armilar.
No princípio do século XIX uma violenta explosão no paiol de pólvora do castelo provoca a destruição parcial da fortaleza e das muralhas.
Mais tarde a última guarnição militar abandona a vila, colocando uma pedra lapidar numa heróica história de coragem e defesa intrépida da fronteira portuguesa. Era o fim de um glorioso período na vida de Monsanto.
| CASTELO |
|
 |
|
No cimo do monte se vêem os restos daquilo que foi uma fortaleza medieval imponente, com as suas muralhas e paredes grossíssimas, com os seus vários recintos e portas e escadarias, mandada reconstruir por D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem dos Templários, facto que pressupõe a existência da mesma em época muito anterior. |
|
Ao entrarmos nele pela “porta norte” (na chamada “Casa da Guarda” onde existe curiosa inscrição, ainda não decifrada) depara-se-nos a “cidadela”, na qual permanece uma cisterna da fundação possivelmente templária, com três arcos e cerca de cinco metros de altura. No Castelo, assinalem-se ainda a “porta falsa” e a torre de menagem (medievais) e a Igreja de Santa Maria do Castelo (templo de criação mais moderna). O Castelo foi classificado Monumento Nacional em 1948. |
|
| IGREJA DE S. MIGUEL |
|
 |
|
Em ruínas, é um templo românico em pedra granítica situado no alto da povoação ao lado do Castelo. Erguida sobre um altar de culto a Marte, possui bela porta axial de arco de volta perfeito, com quatro arquivoltas em cujos capitéis se notam motivos animais e vegetais. A breve distância, e sobre um penedo, uma original torre sineira com dois arcos geminados de volta perfeita. |
|
|
|
Em redor da Capela, encontram-se várias sepulturas escavadas na rocha. |
|
| TORRE DO PEÃO |
|
 |
|
Edificada sobre penedos e próxima do Castelo, foi um posto medieval de vigia e dela se conserva ainda parte das suas vigorosas paredes. |
|
| CAPELA DE S. JOÃO |
|
 |
|
Era pertença da Igreja de S. Miguel, esta Capela, presumivelmente construída no século XII, hoje em ruínas, está situada por detrás do Castelo e ostenta ainda um portal românico, e voltado a norte, uma arcada ogival. |
|
| IGREJA DE S. SALVADOR |
|
 |
|
De fundação antiga, a sua fachada actual data dos séculos XVII-VIII, e destes séculos são também alguns belos altares em talha dourada e algumas imagens de interesse artístico. A actual Igreja Matriz, recentemente restaurada, tem no seu interior um pequeno mas precioso Museu de Arte Sacra. |
|
| CAPELA DO ESPÍRITO SANTO |
|
 |
|
Data do século XVI ou XVII é, no seu conjunto, de traça renascença. A esta Capela se endossa uma das portas da povoação com curiosa guarita ao lado. |
|
| CAPELA DE SANTO ANTÓNIO |
|
 |
|
Templo manuelino, com detalhes apreciáveis: as quatro arquivoltas do portal; os dois “bastões” encimados por uma flor de lis (um de cada lado da porta); o óculo da fachada; a abóbada da capela-mor; o campanário. |
|
| TORRE DE LUCANO |
|
 |
|
Harmoniosa e sólida torre sineira de granito do século XV. No alto uma réplica do "Galo de Prata" que foi troféu em célebre concurso sobre a “Aldeia Mais Portuguesa”. |
|
| CAPELA DE S. PEDRO DE VIR-A-CORÇA |
|
 |
|
Situada nos arredores da povoação, toda em granito, objecto de algumas lendas da região, data possivelmente do século XII. Sobre um penedo, em frente da Capela, ergue-se soberbo campanário de traça românica. |